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Oh God he's taking Demerol
Ando calada. E tenho tanto medo desse silêncio. É imperativo, o nada que apaga minha voz. Não tenho escolha, me resta apenas sentir emoções minguantes, desistidas. Espuma tragada pela areia beira-mar. Dói engolir esperança sem água fresca da juventude. Arranha a alma. Nesse instante, enfio colheiradas de memórias cultivadas (orgânicas) e pressiono a boca do estomago para vomitar o que (penso) ser a vida que quero ter. Mas esse silêncio morredouro é mármore. Tenho medo.. Se eu desistir de querer, quem vou ser? Como caber no espelho pequeno do imediatamente, agora? Em que lado está o reflexo do que me prometi? Para onde olho, por onde espreito para me rever em estado de promessa. De certeza yet to be que se traveste de sonho? Escrevo como quem chora no deserto, sem cerimonias e sem desejo de piedade. E me calo como quem não tem mais nada a dizer. É isso. Michael Jackson morreu e não sei o que fazer quando oprimida pelo silêncio que grita intensidades sem nome para dentro de mim, tenho que fazer força, pensar para reconhecer, dar nomes e cultivar - sentimentos. (Michael Jackson nunca foi feliz)
Escrito por claudia camara às 23h43
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Notinha feliz
Me casei ainda ontem. Cerimônia simples, dois convidados. Roupa tradicional, nenhuma. Me casei ontem e comunico novo endereço : ele em mim, eu dele, (embora não ofereça residência) Somos, desde (e para sempre), juntos.
Escrito por claudia camara às 12h17
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Juro
Eu tenho o direito de permanecer calada. Até porque, sei que agora nunca mais serei inocente. Nem quero. Quero a autoria de todos os meus atos. Ou silêncios. Nada mais será por acaso. Nenhuma palavra será jogada aos punhados, para quem quiser pegar. Todas têm um endereço: pra você. E um remetente: por mim. Condeno-me a cumprir esse alvoroço. Tudo o que disser aqui pode ser usado como prova. Deve ser usado como prova. A seu favor. Sempre a seu favor.
Escrito por claudia camara às 16h47
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Mandem-me flores
O amor silente é pior que o ódio declarado. Fale agora, sinta agora, faça agora. Recuso, desprezo e exprobo homenagens póstumas. (ainda que o amor morra antes de mim)
Escrito por claudia às 12h38
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Ignorãnça

Eu sei que Manoel de Barros encontrou primeiro esta palavra no garimpo que cavucamos todos os dias, condenados que somos a explicar sentimentos. Mas estou acometida de um dessaber tão intenso que sufoco.
Nada sei. Absolutamente nada. Tão nada que quase desisto, saciada pelo vazio algodoado quem me embrulha e aperta a alma – esse lugar onde somos sem reservas e que, pra alcançar, a gente chama de estômago, de coração ou de umbigo.
Estou desértica e qualquer coisa próxima a convicções – ainda que seja a de que não há cura para o amor – foram tragadas pela areia tórrida, morte adentro. Nada sei e isto é avassalador.
Me conte, me diga, revele-se, minta, invente, lembre, grite, cante, chova sobre meus seios. Salve-me da sua morte em mim.
Escrito por claudia às 16h47
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Mais.

É egoísmo querer transformar sonhos em realidade. É de uma tremenda falta de consideração pelo sonho arrancá-lo deste estado de promessa perfumada e obrigá-lo a beber da água dos afogados. Eu acho.
Acontece que foi matando o sonho que o beijo veio à tona, silencioso e longo . Beijo que é como morrer à beira de um rio manso, que vai sem pressa rumo ao mar. Beijo que é como se deixar levar vidafora, sob um sol que aquece sem queimar. Beijo-mergulho, que respira sem esforço, tão pefeitamente natural. Bocas unidas conversando eternidades num diálogo onde palavras são nada.
Mas e o sonho? Virou dia e hora. Virou nunca e agora. Virou isto ou aquilo. Virou história.
Escrito por claudia às 17h37
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Despedida

Sei que não é a primeira vez que me despeço do Mentiras Históricas. Mas também sei que, desta vez, não vou voltar. Durante quatro anos andei nua por aqui, pregando cartazes pelos muros desta cidade sem fronteiras. Neles declarei amores imaginados, chorei dores genuínas, pedi socorro, joguei palavras no abismo.
Viro as costas pra Pasárgada. Volto pra minha casa onde a vida é rei. Lá, serei a mulher que eu quero, na cama que arrumo todos os dias.
Escrito por claudia às 09h26
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Menina dos Olhos.

Há uma mulher entristecendo neste instante. Mas cuidado, não olhe agora porque ela ainda não sabe disso. Não notou que anda deixando cair pedaços de sonhos por onde passa. É distraída e rejeita as horas. Mas há um anjo que os cata, paciente e silencioso, enquanto ela corre sem saber que desiste de alegrias essenciais.
Há uma mulher se curando da juventude que aflige. Por favor, não olhe agora ou ela vai saber que a observo com olhos não amorosos. Olhos de ler a vida sem piedade. Ela está se acalmando e acostumando os olhos ao lugar onde chegou enquanto se perdia entre tantas possibilidades. Veja, ela olha para tudo como quem acaba de nascer e pensa: então é aqui, então é isso? Então é a partir daqui? E procura horizontes, porque se acostumou a querer. Há um anjo que, paciente e silencioso, estende num varal de bambu fincado na terra vermelha, uma colcha de pequenos momentos que se bandeira, hasteada por um vento subitamente feroz.
Veja, ela cerra os olhos e encanta-se com o que vê impresso no imenso e macio tecido costurado pelo anjo – seu guardião sem alardes. E vê uma menina deitada no alto de um muro, equilibrando-se entre abismos de um passado recentíssimo e um futuro imenso. A menina que finge voar, que olha para as nuvens e se imagina em qualquer lugar ou tempo. A menina que, com as costinhas estreitas esfriadas pelo frio da pedra do muro, finge que morre e espera o céu.
Há uma mulher sorrindo neste exato momento. Pode olhar, ela o viu e o reconhece. Sorria para ela que espera seu carinho. Veja, ela caminha em sua direção e, se você conseguir, vai perceber que nada escapa da sua alma. Nada mais. Nem uma migalha dos quereres que a tornearam tão sua.
Vá.
Venha.
Escrito por claudia às 10h45
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Read me, tiger.
 (Esta sou eu, segundo a minha querida amiga Vivi - Vivian Altman - http://vivianaltman.free.fr/)
Outro dia me falaram numa voz de quase segredo: escrever é dolorido não é? Queria muito concordar com ele e tomar para mim essa dor importante e, pelo jeito, essencial para escritores que se prezem (ou que mereçam apreços). Por um triz não concordei com alma e voz dilaceradas pela cruz (fundamental) do meu ofício. Mas não consegui entrar naquele corredor estreito, exclusivo, para o qual estava sendo, oficialmente, convidada. Não foi fácil negar-me à solenidade de posse onde seria, finalmente, reconhecida como escritora. Por pouco não gemi, muda e condoída pela doce e inevitável agonia que unge os corações letrados. Mas não consegui me irmanar às almas estertorizadas dos que escrevem como vomitam ou têm febre. Escrevem visceralmente, matando-se e eternizando-se em cada palavra arrancada com sangue.
Não sou assim não. Escrevo com alegria de cachorrinha respondendo ao assovio do dono. Escrevo como criança correndo desembestada em campo aberto. Escrevo como quem espirra olhando pra luz, sem cerimônias, sem tapar boca ou nariz e depois gargalha. Escrevo de exibida e não por transbordar inevitabilidades. Escrevo de liberdade, por que tenho asas e não por que tenho espinhos e quero sangrar sentimentos, aprisionando-os entre letras segredentas e escuras.
Escrevo porque fico feliz. Mesmo que (e principalmente) escreva mais e melhor quando estou triste.
Não tente entender. Leia-me. Escrevo para seduzir você.
Escrito por claudia às 00h09
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, but the truth.

Quando obrigada à verdade absoluta, do tipo sobre a qual não reste a menor dúvida, eu apelo para um júri imaginário. Naturalmente, um júri severíssimo, inquisidor, diante do qual me vejo nua de corpo e alma, no centro de uma sala amadeirada e escura. Meus pensamentos e sensações transcritos em legendas arial bold, teclas sap à disposição de todos, entranhas expostas, enfim, verdade rascante, sem direito à eufemismos suavizantes. De modo que é assim que me atenho ao indubitável – me postando em estado de bolha de sabão diante de um juri cactus invictus.
Não que mentir seja da minha natureza primitiva. Não! Sofro, inclusive, de dificuldades físicas para sua prática. Especialmente quando se trata de ofender verdades essenciais, densas.
Então, agora que me perguntam se amo você eu respondo que sim, amo! Não, não exclamaria…a verdade é sem alardes. Estou serena quando afirmo: sim, eu amo você.
Mas, se por um acaso (ou por crueldade mesmo), este júri me perguntar em seguida: e você, quem é você? Ah… diria com a agudez do desespero: mal me conheço! Mal me conheço, repetiria …
E a ignorância de mim mesma espocaria diante dos rostos espasmódicos de susto do reconhecimento. Sim, porque minha coragem – ou covardia, tanto faz. Tanto faz mesmo! Ambos, substantivos femininos imperativos, impulsivos, que se igualam nos extremos, onde se equilibram no abismo entre tantos outros antagonismos. Ao desconhecer-me com tanta naturalidade, morderia estômagos dos honoráveis juízes da minha verdade, eles também perplexos diante do silêncio secular que se instalaria opaco em suas almas. Sim, porque ao jogarem tal pergunta sobre meus ombros, estariam questionando a si mesmos. Quem sou? Como se esta pergunta não contivesse o peso do mundo, o mistério de toda fé, o desespero que move o tempo em busca da simples resposta finita e curta.
Sim, meu amor, não sei quem sou. Mas sei a quem amo. E o sei como nem você a si mesmo. Verdade.
Escrito por claudia às 19h53
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Grito de Carnaval

Leia gritando: Fui para o Rio de Janeiro! Volto em pleno sábado de carnaval. Essa é minha folia.
Escrito por claudia às 20h43
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Espere por mim

Não falar é parecido com não sentir. Por isso, à custo de esforço, contrariando a ordem desnatural com que venho falando para dentro. Olhos, boca e todos os sentidos em estado de espera, voltados pra mim mesma, numa exaustiva busca pelo início do fio, pelo silêncio que revelaria tudo.
Acontece que a contemplação em estado puro ainda não me alimenta. Preciso de unhas desenhando caminhos sobre minha pele fina, preciso de mãos contornando minha presença nesse mundo para que eu perceba que vivo, que sangro, que amo. Por dentro, ainda sou o caos. E esse silêncio que tentou se impor anda me inexistindo para o mundo como o conheço, verborrágico, gemido, dolorido, chorado e gargalhado. Ainda não sou amena.
Um dia serei. Amena... um dia serei. Laguinho de repousar olhos e almas. Um dia, talvez, mas ainda não. Por enquanto sou rio caudaloso, perigoso, sou veloz, percorro leitos ou abro leitos com a força da minha vontade – volumosa, livre, feroz. Arranco bordas, arrasto blocos inteiros de sentimentos, salto em quedas vertiginosas. Há que se ter coragem para me navegar. Mas aos que ousam (ouse!) ofereço paisagens jamais imaginadas pelos que optam pela terra firme e asfaltada do connue.
Mas um dia serei. Amena, um dia serei. Viverei em estado de lago conformado com seu destino de existir em calmaria (minha única possibilidade de revolta será secar, inverter-me e expor a secura de entranhas sem chuvas).
Fique bem calmo e espere. Um dia me tornarei suportável para sua alma assustada me contemplar sem medos. Engolirei sóis e cuspirei luas, dia após dia, para o alívio dos seus olhos cansados de não me ver.
Escrito por claudia às 09h31
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...

Estou afundada num silêncio de feltro. Não é quietude montanhosa, meditativa é abissal, silêncio de pedra. Estou quieta por dentro. Espero que eu não tenha desistido de mim.
Escrito por claudia às 16h00
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Entra ano, sai ano.

A quem amo, amarei. A quem quero, terei. A quem desprezo... (esqueci seu nome!) A quem espero, estarei.
Feliz 2008!
ps "I don't want to stay here, I wanna to go back to ..."
(Mas eu volto. Sou santa, vou. Sou louca, volto)
Escrito por claudia às 14h59
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Dentro do livro tem uma carta.
Ulisses,
Não é fácil dizer não para você. Porque é o mesmo que me negar um pedaço de vida. Mas também não é fácil ir até você sem que estejamos de mãos dadas, percorrendo juntos e cuidadosamente um caminho delicado, verdíssimo, sufocante de exuberância e juventude. Não consigo ir sozinha. Venha me buscar. Abra caminhos com palavras e mãos que conheço desde sempre e que em mim, são definitivas. Não me diga pra ir. Fique perto de mim e eu acompanho você. Sempre estive pronta e em permanente estado de saudades.
Lori
Escrito por claudia às 10h26
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Tempo do amor
Você quer saber o exato instante em que me apaixonei e, antes que eu responda, pergunta o porquê (e diz isso sorrindo) porque, logo você? Não digo que foi de medo, por medo de te perder. Mas já que insiste confesso, foi solidão da espécie mais pura (deveria dizer: da espécie mais puta) a que me ancorou em seus braços. Foi de fraqueza de alma (é sempre por isso) que abri os flancos (permanentemente escancarados) para o seu desafio naîve: dare me amar. Fui, estou e fico. Mas neste instante em que cuspo verdades vespudas sobre seus olhos tristes (recém-entristecidos) , neste preciso momento em que que vejo sua dor, respondo: juro, sinceramente foi agora, neste exato instante, que começou o amor.
Escrito por claudia às 10h24
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I'm a big girl now
Não se trata de agarrar-me a galhos mortos de árvores ribeirinhas. Trata-se de ser este, ainda assim, meu único vínculo com a margem onde plantei “hopes” (espécie cada vez mais rara na flora do caminho). “Let go”, você diz. Como se não houvesse me semeado. A virtude é o meio, você aristoteleia. Como se não houvesse saltado da pedra lisa e funda que divide o rio e se deixado vir, e me tivesse levado alegria afora. Como se não tivesse, você mesmo, viciado beiras e águas antes de voltar “nadando contra correntezas” ao seu porto connue. Então não me diga como viver, depois de você. Nem tente me ensinar o amor e seu tempo finito. Aprendi esse ofício navalhando entranhas, e era sua, a lâmina. Então, tenha a bondade de me deixar em paz, a luta por raízes é minha, logo você, régia vitória, navegante das águas turvas. “Need no help to be hurt”. Cuide da sua vida, lamba suas próprias feridas. Não preciso mais de você, para sugar meu plasma. “Its over”. Tenho cada uma das suas palavras, cada um dos seus gestos e absoluta ausência de todos eles, coagulados em teias finas que me convergem (precariamente) à essa existência, dolorosa e una. Desde você, tive minha pele arrancada do corpo e me tornei nua de mim.
Escrito por claudia às 10h24
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Mea Culpa
No meio do meu caminho, eu sou a pedra.
Escrito por claudia às 10h18
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Haja saco!
Querido papai Noel, (Natal de 2004)

Poxa vida, Papai Noel, (Natal de 2005

Caramba, Papai Noel, (Natal de 2006)

Se liga, Claudia! Eu não existo! assinado: Papai Noel (Natal de 2007)
Escrito por claudia às 20h40
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Recado

Diz que fui embora, que fugi, que sumi. Que você não me viu sair, que eu não me despedi. Ou então, melhor ainda: diz que viajei e que era imensa a mala que levei. Não, diga que fui de mãos vazias, que talvez volte, nunca se sabe. Diz que estou exausta de pedir, de esperar, diz que, no entanto, nunca me viu chorar, blasfemar, urrar dores mundo afora. Mas que mundo adentro, me jogo, me esfolo, quebro ossos e dogmas. Diz que sou uma dama e que, quem me vê. nem desconfia. Diz que sou uma puta e que quem paga, me desfia e come (fibra por gozo) Diz que não me conhece, que nunca me viu. Quem? Não sei. Diz assim, "não sei" com o espanto dos absurdos. Diz que me acha estranha, que falo outra lingua, diz que eu como gente. Olhe para os lados, como quem segreda, diz "tome cuidado", que soube de histórias, que nem sabe ao certo, se sou fada, fúria ou santa. Ah.. diz que sou menina, que sou louca, que não sei o que digo. Diz pra quem me vir, me dar colo, me parir. Diz que aceito tudo em nome de um chão. Mas diz que não peço, mas que também não nego, nunca, o perdão.
Escrito por claudia às 11h00
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