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Lembra de mim?
Sou os olhos que te vêm como nem você mesmo. Sou a boca que arranca silêncios da sua. Sou as asas que ancoram sua liberdade. Sou o impossível necessário para o seu sonho.
Mulher, sou sua menina, como desde sempre. Sou os seios que alimentam sua alma, o labirinto, a vertigem, sou o seu medo de ser. Sou o amor e seus oceanos, Único caminho para onde você precisa ir.
Lembra de mim? Sou a que existe sob suas mãos lentas, sou o contorno do seu desejo. Sou o abraço, o alento, o tormento, sou o beijo.
Escrito por claudia às 16h18
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Coisas que eu disse que jamais diria a você.

Que eu amo você mais do que é possível suportar. Que nenhuma boca tem o gosto da sua. Que meu cheiro muda quando chego perto de você. Que minha temperatura muda, muda a cor da minha alma e, talvez, até a dos meus olhos. Que eu devo te olhar com olhos dourados que só os anjos têm. Que suas mãos são a melhor parte do meu corpo: extensão e definição da minha feminilidade. Que seu beijo é delícia, espera e eternidade. Que seu corpo é meu cocoon, que preciso dormir contornada pelo seu desejo. Que tenho filhos seus ainda por parir. Que você os toca quando me mergulha.
Que sou blues mas por você, eu rock 'n roll. Que eu vou amar você ainda que não queira. Que é de todos os tempos. Que não há remédio, nem volta.
Jamais direi nada disso a você. E que, por mais que insistam em negar, love is still so innocent.
Escrito por claudia às 11h59
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Mastigando hóstia
O que sinto é sagrado. Amar e não me ter. Pecado.
Escrito por claudia às 19h48
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relatividade

Amo lentamente sem pressa, amo. Temos, você e eu, todo o tempo fora das horas. Esse amor de nós dois tem o destino, como padrinho.
Amo lentamente. Amo.
Escrito por claudia às 22h21
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Sodoma, Gangorra & Serrote

Olhei para trás. Estou de costas para o que serei, não, muito pior, estou de costas para o que sou. Por que é isso o que tenho. Apenas o instante e seu nuncamais me pertencem.
Estou trincada.
Estou o depois da lágrima. Estou o gosto do fim Estou sal. Estou só.
(o poema abaixo, editado pela ultra-atrevida, Neusa Doretto)
Escrito por claudia às 07h52
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Sodoma & Gangorra

Olhei para trás. Estou de costas para o que serei, não, muito pior, estou de costas para o que sou. Por que é isso o que tenho. Apenas o instante e seu nuncamais me pertencem. E eu olhei para trás. E vi, entre os cacos do sal que arde meus olhos, fere minha boca, seca e cala minha lingua, eu vi nossa história em chamas.
Desobedeci o tempo e me virei contra ele, procurando por você. Meticulosamente destruí minha única eternidade: sua memória de mim. Estou trincada.
Estou o depois da lágrima. Estou o gosto do fim Estou sal. Estou só.
Escrito por claudia às 19h34
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Explica?

Não obrigada, não quero me deitar no divã, ou posso dormir. Fugindo? De nada não. É que eu só pago pra dormir em hotéis cinco estrelas, com vista merecedora de fotos. Sonhei esta noite. Um sonho tão impressionantemente real que acordei atordoada e ainda com as sensações físicas do que aconteceu enquanto dormia.
Vou contar, calma, é que estou me lembrando para ser fiel aos acontecimentos. Eu era amante de um homem pequeno. Anão? Não, pequeno, não sei explicar, me lembro que ele estava sentado em um banco e eu tentava deitar minha cabeça no colo dele e era desconfortável. Colo pequeno. Eu disse colo… o resto não deu tempo para descobrir. Não achou graça? Ou é proibido de rir?
Você conta o que eu te conto aqui pra alguém? Nem comenta com sua mulher? Nada? Não estou questionando a terapia, só estou pensando, me desculpa… Tá bom, de volta para o sonho…
Nem para o seu terapeuta você conta? Ou pro padre? Porque se você tem que dizer a verdade pra eles, porque esconderia o que eu conto para você aqui, sentada nessa cadeira mais baixa do que a sua?
Minha auto estima não é baixa. É apenas uma constatação. A cadeira onde me sento e confesso meus segredos é mais baixa do que a sua. Isso faz parte da técnica que você adota? Precisa se sentir superior? Vai ver você tem problemas de auto estima… Não achou graça?
Ok, o sonho. Pois então, eu tentava me aninhar num colo onde não me cabia confortavelmente. E era um lugar estrangeiro. Alemanha, acho. Era um bar ou um restaurante. Ele se levantou dizendo que tinha visto uma coisa bonita alí perto e que voltaria logo. E voltou com um colar imenso de esmeraldas para mim. Imenso. Pedras verdes do tamanho do desta minha unha, olha… maiores até. Peguei o colar e senti o peso dele. Lindo, as pedras colocadas em uma estrutura que cobria todo o meu colo.
Pensei: não vou poder aceitar. Vontade de chorar… Não, não estou com vontade de chorar agora. No sonho tive muita vontade de chorar porque sabia que não poderia aceitar tal presente. Porque? Ora, porque isto significaria que eu teria que agradecer pelo presente.. Como assim? Como assim, como assim? Pergunta estranha… agradecer, ora. Agradecer com o que eu tenho para dar para ele e, sabemos que ele não esperava uma outra jóia. Mas deixei ele colocar o colar em meu pescoço. Tão bom um homem, mesmo pequeno, colocando aquela jóia pesada em volta de mim. Agora penso que é como se eu estivesse sendo coroada, feita rainha.
Sinto ainda o peso frio das pedras contra meu peito. Acho que disse que não poderia aceitar. Não devo ter dito com muita veemência porque ele sorriu e disse que eu poderia sim e que seria apenas o primeiro.
Aí eu já estava do lado de for a do lugar onde estávamos… Onde era? Alemanha, acho… Ah, o lugar? Não sei, um bar. Sei que saí pra curtir o colar um pouco antes de devolvê-lo. Examinei detalhes, vi uma coroa impressa no fecho de ouro… Vi o preço e me lembro do valor: 531 mil euros. Estranho, né? Era este o valor.
Voltei para perto do homem pequeno e devolvi o colar. Mas chorava enquanto era nobre nesse sonho.
O que acho que este sonho significa? Você está me perguntando? Não é sua parte no nosso combinado?
Meu ginecologista não gosta mais de me atender. Desde que resolvi não ter mais filhos. Não, não, ele não disse isso, mas eu percebo. Ontem liguei pra ele e achei que ele estava com má vontade. Fiquei tão irritada que disse o que pensava. Uai, disse que ele tinha construido os castelos - tive dois filhos com ele.
Desculpa, tô rindo porque do jeito que eu falei “tive dois filhos com ele” parece que ele é o pai…. Não achou graça? Já sei, não quer interagir. Uma vez eu achei que estivesse apaixonada por ele. E disse pra ele! Chamei meu marido e disse que ia deixá-lo pelo ginecologista. Nada não, riu. Os dois riram.. e eu falava sério. Mas aí a enfermeira trouxe minha filha pra amamentar e eu parei de pensar no assunto.
Engraçado. Me lembrei agora. Quanto tive meu segundo filho, propus ao anestesita, fugirmos. Estranho isso, não? Não quero falar sobre isso… onde eu estava mesmo? Ah… estava te contando que achava que meu ginecologista não gosta mais de me atender depois que não vou ter mais filhos.
Mas eu disse pra ele que dei dois castelos para ele construir e que agora ele tinha que topar fazer os puxadinhos. Não entendeu? Metáfora – castelos, meus filhos. Puxadinhos – ligar pra saber o que faço pra melhorar minha tpm.
Como assim o que mais? Acabou. Foi só isso. Porque mesmo eu falei do meu ginecologista? Não me lembro…
Acabou a sessão? Já? E o colar de esmeraldas? Semana que vem? Acabou? Estou devendo quantas sessões? Nossa, caro… te falei que estou sem dinheiro. Isto não o comove? Obrigada, até segunda.
Escrito por claudia às 11h39
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Fundamental

Olhei para ele e não o vi como sempre pensei que fosse. Todo esse tempo desconhecendo meu pai. Me dou conta que nunca, (ainda) tinha,de fato, olhado para ele sem a certeza acostumada do meu olhar genealógico.
E agora, me parece, é tarde demais. Tal constatação é de uma desolação excruciante. (achei o tamanho da minha dor nesta palavra).
Pai…
Ele não responde porque está cansado de responder. Nem sei se me respondia antes. Antes, não precisava, ele estava lá.
Pai…
Ele me olha não querendo me ver. Como nunca, realmente, me viu. E chega a mim uma imagem definitiva: uma gota deixada ao sol. Não mata sua sede e é certo que vai desaparecer muito aos poucos. E mesmo que você se mantenha, canina, ao lado dela, olhos colados em sua existência fragile, não verá a hora em que ela desvanescera no ar.
Ô, papai...
Escrito por claudia às 18h15
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La fin

Vai chegar o dia em que, exaustos, desistiremos.
E como folha sobre rio manso, porque a entrega é sem luta, nos deixaremos ir , sem esforço, destinados que somos, que, desde sempre, fomos.
Palavras hão de perder sua importância, mesmo as mais emocionadas como, amor, tudo, agora, sempre, sua, sua, sua. De ninguém serei, se já nem sou (embora terei passado a vida sem o saber)
Vai chegar o dia em que estaremos, em copas, para o mundo feito de veias, nervos, ossos e sua arquitetura de dores. O medo, há de ser memória esquecida e seus olhos, luar desejado em noites escuras, estarão voltados para mim aguados, faróis de primeira luz. E só então vai me ver, como já não mais serei.
Neste dia, meu amor, já não o chamarei assim.
Escrito por claudia às 12h21
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Para sempre, nunca mais.

Na casa de Neruda quis ser sua musa.
Escrito por claudia às 20h48
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Nerudiando

De vez em quando, sou eu quem persegue a poesia.
Vou, sou louca. Volto, tenho motivos.
Escrito por claudia às 12h42
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So to speak

Dentro de mim tem um sentidor. Deus,como ele sofre! E não descansa o sentidor. O tempo todo percebe e transfere, letra por emoção o que sente, como quem dilacera carne, com os dentes, feroz. E me corta afiado, descontroladamente, imprimindo alegrias e dores com a mesma destreza. Não descansa, o sentidor. O contrário do escrevidor, outro hospede de mim que, de vez em quando (muito de vez em quando) aproveita meu quase sono para ditar textos inteiros, inteiros… que matam o sentidor de comoção, este tolo. E tem o inventor. Capaz de inventar de tudo, inclusive o amor. Este é de uma mordacidade refinadíssima. Ludibria o sentidor sem cuidados, se diverte. Louco. Eles são loucos. Eu não, eu sou lugar onde.
Escrito por claudia às 19h20
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da boca de clarice
Sinto a falta dele como se me faltasse um dente na frente: excrucitante
Escrito por claudia às 11h06
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Olha pra mim, peço. E você me olha com olhos vagos, acostumados e sorri distraído, como se não fosse vida ou morte o que pergunto. Olha pra mim, o que você vê? Minha mulher, você responde. E eu digo não e peço para olhar direito e dizer realmente, o que vê. Uma linda mulher, você diz, tentando comprar seu sossego com um elogio fácil. Insisto, porque dependo do seu olhar para confimar o que, acredito, transborda all over me. Se você não confirma o que sinto, se você não vê como estou, como acreditar em mim? Hein? Espelho…diga, o que vê quando olha pra mim? Então você pousa a taça de vinho sobre a mesinha, bem ao lado do cinzeiro onde queima um charuto insensando nossa casa de uma serenidade que não sinto.
Sobre o que quer falar, você pergunta focando meu rosto de tal modo que o emoldura entre suas mãos. Ah, este contato… ah esta atenção absoluta que desejo sempre, agora me desconcerta. Quero saber se você me conhece, respondo embolada com as indesejáveis lágrimas embaçando a seriedade dos meus sentimentos. Então você puxa o fio ancestral da nossa história e vai me tecendo do começo. De quando me viu pela primeira vez, de como se sentiu, de como me quis. Esquece, eu peço, esta menina é hoje um retrato no hall da sua memória. Olha pra mim agora. Olha!
Você está cansado e se esquiva do tapa da realidade que lhe proponho. Solta o meu rosto e volta para a vaguidão de nós dois, existindo apesar de mim, independente do que sou e do que você é.
Estou desolada e de puro desamparo telefono pra alguém. Alô… e ignorante da imensidão que me cala, o outro lado da linha banaliza de novo minha existência primal.
Agora sou eu quem olha pra você como gostaria que me olhasse. E desconheço com tanta nitidez o homem que eu amo que sinto meu corpo retrair, buscando em concha, proteger-me do futuro do que fomos ontem. O hoje que não me cabe nem me acolhe. Tampouco me impulsiona para um futuro de nova espécie. É tão intensa a minha a minha solidão, tão areado o chão sobre o qual me desequilibro. Então, para reestabelecer o cotidiano suportável pergunto, sabendo desde já sua resposta: quer um chá de menta? Vou fazer chá de menta…
E caminho para a cozinha como se não estivesse abandonada.
Escrito por claudia às 19h06
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Blues

Tem alguma coisa de reconfortante na tristeza. Tristeza silencia, acalma a alma de um jeito profundo, afogada que fica entre os esquecimentos. Tristeza é tregua na guerra pela alegria, esse embate que nasce derrotado. Tristeza adormece os sonhos. Os tristes serenos, descansam e não se debatem contra o corpo aquietado sobre o chão do mundo.
Escrito por claudia às 16h22
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